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A deusa cometeu o crime De se apaixonar Por um mortal E para pagar Por tal amor Ela foi condenada A perder sua cabeça A cabeça do corpo Foi separada A cabeça pagou pelo crime Que o corpo praticou Eu fui cúmplice Desse crime Pois foi a mim Que ela amou Eu um simples mortal Ela uma deusa qualquer Seu único mal Foi querer Ser minha mulher A cabeça da deusa Desceu o morro Rolou pela cidade Pela rua onde moro Os olhos da deusa Miraram-me frios Desses mesmo olhos antes De amor corriam rios A boca da deusa me falou Da imensa agonia Dos lugares onde passou A mesma boca que um dia Em meus ouvidos sussurrou Palavras de amor A cabeça da deusa rolou Por ruas, ruelas Vilas, favelas Nunca mais eu e ela Percorri vários caminhos Inveredei por mares de espinhos A cabeça não é mais Osso e carne Nem dor e desejo A cabeça agora É mármore É dura lápide Que não mais reage Aos meus beijos A cabeça da deusa Atravessou países Voltou às suas raízes Já teve vários matizes Agora é branca Como a cera Nela a apatia impera Soube que acabou Numa parede O que eu não sabia E que eu a encontraria Na Casa da Poesia |